sexta-feira, setembro 26, 2003
Simples? Lembras-te dos nossos sonhos? De quando a vida era uma criança? Lembras-te de como tudo era perfeito? Daqueles tempos em que o Sol Apenas se punha ou só nascia? Lembras-te das rosas que nunca te dei? Lembras-te dos espinhos, tão suaves eram? Olha agora o que te dizia, e tu incrédula, Renitente, não, não, não pode ser. Vês? Aconteceu tudo o que te disse E pior ainda: agora não resta pouco, Sobra ódio em grande quantidade.
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2:56 da manhã
quinta-feira, setembro 25, 2003
dois
Tens o coração despedaçado E não sabes o que fazer agora Com os cacos e o que sobra Do teu desespero em carne viva. Sombra esfarrapada, negro véu Debaixo do sol escurecido. Tu e só tu, mais nada, Nem ninguém, nem coisa alguma, Agora de novo feto desamparado Simples vestígio do que eras Quando havia antes e depois. Tu sobras, e isso dói. Como te compreendo, irmão.
enviado por C |
1:21 da manhã
segunda-feira, setembro 22, 2003
longos momentos
O tempo foge agora mais do que nunca A memória já envelhecida atraiçoa tudo E de nós apenas restam fragmentos Como cacos de espelho cravados no peito
A tua imagem neste lago, parece-me que vejo, É a mesma de sempre, é sempre a tua E ao teu lado o mesmo pinheiro manso E por cima o mesmo sol, como o recordo E o céu azul claro com cheiro a figos.
De repente acordo muitas vezes E a minha mão procura a tua Mas dentro daquela água fria Não está nada, nada, nem sequer Uma sombra do teu reflexo.
Depois espero que o Inverno chegue E congele o lago cheio de folhas mortas Com a tua imagem lá dentro. É o que sempre fiz.
enviado por C |
1:01 da manhã
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